10 abril, 2007

Café-escritório

Já é hora de almoço. A esta hora, em Lisboa, os cafés põe as mesas e já ninguém tem lugar para sentar numa sala vazia.
É a mesma hora em Londres: 12h00.
Ninguém come. As largas chávenas de café estão dispostas de forma casual, como se fizessem parte do conjunto de objectos pessoais que se espalham numa mesa: um portátil, jornais (pessoais apenas enquanto os folheamos; pertencem a todos), um bloco de notas, um maço de folhas impressas.
Cada mesa é um escritório circular, uma redoma de trabalho; e um refúgio público, porque também a solidão precisa de companhia.
Neste café, escrevem-se guiões, desenham-se storyboards, sublinham-se livros, fazem-se listas, escrevem-se cadernos, reescrevem-se textos.
Não se trocam palavras, nem olhares. Não é preciso. A solidariedade está instalada. Reconhecemo-nos uns nos outros: freelancers, nos cafés livres – tão livres que estamos prisioneiros da liberdade.

1 comentário:

ana disse...

Apesar de haver esse reconhecimento que menciona, ha sempre uma especie de anonimato em todos esses pequenos habitos.
So possivel numa cidade grande. Era disso que vinha a procura quando cheguei a Londres, e foi exactamente isso que encontrei.
Talvez demasiado.